O Salto da Fé: desafio para o ser humano

A tendência natural do homem leva-o ao visível, ao que se pode pegar e reter como propriedade. Cumpre-lhe voltar-se, internamente, para ver até que ponto abre mão do que lhe é próprio, ao deixar-se arrastar assim para fora da sua gravidade natural. Deve converter-se, voltar-se para conhecer quão cego está ao confiar apenas no que os olhos enxergam. A fé é impossível sem essa conversão da existência, sem essa ruptura com a tendência natural. Sim, a fé é a conversão, na qual o homem descobre estar seguindo uma ilusão ao se comprometer apenas com o palpável e sensível. E aqui está a razão mais profunda por que a fé não é demonstrável: é uma volta, uma reviravolta do ser, e somente quem se volta, recebe-a. E, porque nossa tendência não cessa de arrastar-nos para outro rumo, a fé permanece sempre nova em seu aspecto de conversão ou volta, e somente através de uma conversão longa como a vida é que podemos ter consciência do que vem a ser “eu creio”.

A partir daí é compreensível que a fé representa algo de quase impossível e problemático não apenas hoje e nas condições específicas da nossa situação moderna, mas, quiçá, de modo um tanto menos claro e identificável, já representou, sempre, o salto por cima de um abismo infinito, a saber, da contingência que esmaga o homem: a fé sempre teve algo de ruptura arriscada e de salto, por representar o desafio de aceitar o invisível como realidade e fundamento incondicional. Jamais a fé foi uma atitude conatural conseqüente do declive da existência humana; ela foi sempre uma decisão desafiadora da mesma raiz da existência, postulando sempre uma volta, uma conversão do homem, só possível na escolha.

[Joseph Ratzinger, in “Introdução ao Cristianismo“, pag. 19. Herder, São Paulo, 1970]

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→ Versão de “Introdução ao Cristianismo” em PDF: http://tinyurl.com/IntroCristianismo

Ave Maria da Rua

Está aqui uma das poucas músicas realmente profanas, falando de Nossa Senhora, que me comovem imensamente. A música Ave Maria da Rua foi composta e gravada por Raul Seixas. Mostra o quanto Maria obrou ser tanto Mãe de Jesus, nosso Salvador, como de todos quantos nele cressem!

Raul Seixas, apesar de ter se perdido nas sendas desgraçadas do Ocultismo, mostrava sua inquietude de alma que, se acaso se manifestasse em outros, poderia levá-los, quem sabe, ao Caminho da Santidade. No entanto, Satanás lhe instilou o veneno da rebelião e ele caiu sob sua própria vaidade, possesso das forças das Trevas, infelizmente…  Continue Lendo “Ave Maria da Rua”