O Salto da Fé: desafio para o ser humano

A tendência natural do homem leva-o ao visível, ao que se pode pegar e reter como propriedade. Cumpre-lhe voltar-se, internamente, para ver até que ponto abre mão do que lhe é próprio, ao deixar-se arrastar assim para fora da sua gravidade natural. Deve converter-se, voltar-se para conhecer quão cego está ao confiar apenas no que os olhos enxergam. A fé é impossível sem essa conversão da existência, sem essa ruptura com a tendência natural. Sim, a fé é a conversão, na qual o homem descobre estar seguindo uma ilusão ao se comprometer apenas com o palpável e sensível. E aqui está a razão mais profunda por que a fé não é demonstrável: é uma volta, uma reviravolta do ser, e somente quem se volta, recebe-a. E, porque nossa tendência não cessa de arrastar-nos para outro rumo, a fé permanece sempre nova em seu aspecto de conversão ou volta, e somente através de uma conversão longa como a vida é que podemos ter consciência do que vem a ser “eu creio”.

A partir daí é compreensível que a fé representa algo de quase impossível e problemático não apenas hoje e nas condições específicas da nossa situação moderna, mas, quiçá, de modo um tanto menos claro e identificável, já representou, sempre, o salto por cima de um abismo infinito, a saber, da contingência que esmaga o homem: a fé sempre teve algo de ruptura arriscada e de salto, por representar o desafio de aceitar o invisível como realidade e fundamento incondicional. Jamais a fé foi uma atitude conatural conseqüente do declive da existência humana; ela foi sempre uma decisão desafiadora da mesma raiz da existência, postulando sempre uma volta, uma conversão do homem, só possível na escolha.

[Joseph Ratzinger, in “Introdução ao Cristianismo“, pag. 19. Herder, São Paulo, 1970]

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→ Versão de “Introdução ao Cristianismo” em PDF: http://tinyurl.com/IntroCristianismo

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Mentiras sinceras ou Verdades inconvenientes?

História Eclesiástica (Eusébio de Cesaréia)Está mais do que evidente, a nós que observamos a banda passar, que hoje prevalece nos discursos, seja de instituições religiosas ou políticas, a regra do quod licet (em lat., aquilo que convém). Aos ignorantes e ao populacho, é imposta uma ração de ilusões e promessas vãs bem diferentes das promessas inerentes do que nossas almas imortais nos garantem.

Ok! As instituições religiosas, bem como os credos que arrastam sob suas estolas e filactérios, são constituídas por homens em sua interpretação, pretensamente iluminada por Deus, acerca das Verdades Eternas. Verdades, mesmo? Ou seriam as sombras da Verdade que querem nos passar, cujos conteúdos convenham ao status quo  das hierarquias? Essas vultosas organizações hieráticas se dizem portadoras de Revelações divinamente inspiradas. É certo lhes imputar o título de infalíveis aos Papas? É humanamente compreensível dar a sacerdotes pecadores a tutela da guia do “rebanho” humano? Sim, é, desde que o rebanho se deixe livremente alienar!

Trago algumas citações de frases proferidas por pilares da Igreja dita “cristã” para que todos nós reflitamos a quais cetros nossas cabeças se inclinam:  Continue Lendo “Mentiras sinceras ou Verdades inconvenientes?”