Um ensaio filosófico sobre o filme “A Origem”

Para pular a parte das explicações preliminares (que eu acho um troço chato) sobre o filme Inception (em português, A Origem), deixo aqui um link para um artigo explicativo sobre o mesmo (ficha técnica, autor, ano de lançamento, sinopse, etc.). Se preferirem voltar somente após se inteirarem do filme, basta acessar: http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/c.asp?id=10141.

Após assistir ao filme A Origem, do diretor de Amnesia e Insomnia — Crystopher Nolan , protagonizado pelo hollywoodiano Leonardo Di Caprio, muitas questões filosóficas e existenciais começaram a pulular em minha mente. Seríamos todos partes do “sonho” de Deus? Afinal, Deus “acordado” seria eterno. Para que partes da essência eterna de Deus pudessem se manifestar em estado diferente, Deus (o Todo não-personificado) teria de “dormir” também.

Após quase três anos mantendo esse tema em banho-maria, eis algumas especulações que teci sobre o filme:

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O Salto da Fé: desafio para o ser humano

A tendência natural do homem leva-o ao visível, ao que se pode pegar e reter como propriedade. Cumpre-lhe voltar-se, internamente, para ver até que ponto abre mão do que lhe é próprio, ao deixar-se arrastar assim para fora da sua gravidade natural. Deve converter-se, voltar-se para conhecer quão cego está ao confiar apenas no que os olhos enxergam. A fé é impossível sem essa conversão da existência, sem essa ruptura com a tendência natural. Sim, a fé é a conversão, na qual o homem descobre estar seguindo uma ilusão ao se comprometer apenas com o palpável e sensível. E aqui está a razão mais profunda por que a fé não é demonstrável: é uma volta, uma reviravolta do ser, e somente quem se volta, recebe-a. E, porque nossa tendência não cessa de arrastar-nos para outro rumo, a fé permanece sempre nova em seu aspecto de conversão ou volta, e somente através de uma conversão longa como a vida é que podemos ter consciência do que vem a ser “eu creio”.

A partir daí é compreensível que a fé representa algo de quase impossível e problemático não apenas hoje e nas condições específicas da nossa situação moderna, mas, quiçá, de modo um tanto menos claro e identificável, já representou, sempre, o salto por cima de um abismo infinito, a saber, da contingência que esmaga o homem: a fé sempre teve algo de ruptura arriscada e de salto, por representar o desafio de aceitar o invisível como realidade e fundamento incondicional. Jamais a fé foi uma atitude conatural conseqüente do declive da existência humana; ela foi sempre uma decisão desafiadora da mesma raiz da existência, postulando sempre uma volta, uma conversão do homem, só possível na escolha.

[Joseph Ratzinger, in “Introdução ao Cristianismo“, pag. 19. Herder, São Paulo, 1970]

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→ Versão de “Introdução ao Cristianismo” em PDF: http://tinyurl.com/IntroCristianismo

O Zero e Deus

Como primeiro delírio do Claustrum, nada melhor que “começar do início”, pelo número Um, certo? Errado! Começamos a partir do Nada, repostando um de meus artigos mais complexos publicados no Dies Irae e falando sobre a mística do Zero, a figura do Supremo Ser Preexistente (que existe fora de nossa Existência e dela fora a Fonte). Os Cabalistas chamam-no de Eterno, Existência Negativa ou, simplesmente, Ain (o Nada).

Vamos acompanhar?

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