Cristofobia: a perseguição vai recomeçar!

Antes de falar sobre a Cristofobia, deixem-me elucidar alguns conceitos…

Quando há duas facções religiosas em conflito, sejam elas de importância e forças mais ou menos iguais, temos um cenário de guerra religiosa. Quando uma das duas, de igual força à sua opositora ou menor, não reage politicamente ou não tem condições para isso, vemos então um quadro claro de perseguição por parte da mais forte ou influente, que pode ser local ou se espalhar por regiões e países, além das fronteiras.

Religião está diretamente ligada a costumes e à cultura, à vocação de um povo. Se o povo tem uma mesma origem racial ou cultural, é natural que tenha uma religião principal, com algumas poucas dissidências. Mais que determinar de onde viemos, em termos práticos ou usando-se de elementos míticos, a Religião de um povo delineia o desejo de um povo quanto a onde pretende chegar, ao que almeja esse povo numa comunidade de povos ou no Mundo.

A Religião sozinha não pode resolver todos os problemas de uma sociedade, nem construir seu futuro sem a ajuda de suas outras irmãs, a saber: a Filosofia, a Ciência e a Arte. Todas as demais áreas do saber humano deriva, em maior ou menor grau, da mistura de atributos de duas ou mais dessas disciplinas. A Política deriva da interação patriótica da Filosofia e da Religião; o Direito provém da Religião e da Ciência; a Pedagogia saiu da barriga da Religião, acalentada pela Arte e reforçada pela Ciência da Natureza. E assim por diante! 

Quando os costumes de uma sociedade perdem seu vínculo com um destino comum, sobrenatural ou não, estipulados pela Religião nacional; quando as ações injustas dos homens são premiadas com a condescendência do Direito viciado por mãos igualmente ímpias; quando a Filosofia cede seu espaço à pétrea ditadura da Ciência materialista, então, estamos em maus lençóis!

secessão entre essas quatro irmãs, citadas acima, em meio ao desgraçado caos social incrementado pela decadência e banalização dos costumes, sob pretexto do omnia licet (“vale tudo”) da falsa liberdade, transformada em libertinagem, fatalmente redunda em perseguição a algum dos grupos que se levantam no embate social. Tal perseguição recai, geralmente, sobre o grupo mais “estranho” à tirania cultural que visa a fragmentação dos diversos grupos sociais para logo, em seguida, retirar-lhe a liberdade relativa falsamente atribuída a eles.

martirio

Tal grupo, em nossos dias atuais e no início da Era Cristã, era, e continua sendo, constituído pelos Cristãos. Recai sobre o núcleo mais homogêneo e organizado, ou seja, a Igreja de Roma e, com o correr dos anos, atingiu as outras comunidades espalhadas pelo Império. Naquele tempo, mesmo em sua fase mais feroz, a comunidade cristã de Roma contava com altos funcionários imperiais convertidos ao Cristianismo, que faziam a mensagem cristã correr  do Oriente ao Ocidente como rastro de pólvora. Era a alternativa religiosa que prometia um destino bem mais feliz, longe dos sofrimentos deste mundo injusto. Como eu disse acima, o destino delineado por uma Religião para seu povo determina (ou não) sua adoção.

Os críticos do Cristianismo o combateram (e o fazem ainda hoje) sob as acusações de ser um regime supersticioso e tirânico com os instintos naturais do ser humano. Ora, todo o conceito de justiça fora esquecido por estes como tinha sido pelos desesperados romanos. Naquele tempo, sua religião tinha delineado um destino que redundara em excessos de poder e de vícios, pois não eram seus deuses que lhes determinavam o destino nem suas famosas virtudes, mas foram os homens que fabricaram seus deuses. Por isso mesmo, o argumento apostólico de que os deuses romanos e gregos não passavam de ídolos inertes consolidava ainda mais a supremacia de apenas um Deus, cujo Filho fora o único ser humano capaz de vencer a morte, comum a todos os homens.

Poderia enumerar todos os argumentos dos anticristãos da época dos sécs. I ao IV, porém se faria muito extensa a exposição. O que mais me chama a atenção é que o Cristianismo é tido por doença mental, uma espécie de sociopatia. Isso, do ponto de vista contemporâneo, é bem compreensivo, haja vista que sua proposta ia contra todo o sistema decadente de valores em que mergulhara a sociedade romana.

Se a mesma sociedade romana vivesse num sistema político em que as virtudes fossem equilibradas pela justiça, solidariedade e caridade, o Cristianismo talvez não tivesse ganhado terreno, já que seria visto como uma sub-categoria do mesmo sistema de valores morais. Seria mesmo até tolerado como religião permitida, mas jamais adotada pelas massas, pois essas estariam satisfeitas com o destino que teriam, coerente com as diretrizes de sua religião.

Hoje, vivemos num sistema talvez tão brutal e caótico de valores e costumes quanto do decadente Império Romano. A moral está se esfriando, substituída, novamente, pelo omnia licet devasso da decadência romana. Abortos eram de praxe das mulheres romanas, ricas ou pobres, que jogavam os fetos ou crianças nascidas com defeitos em fornos comunitários. Orgias e desvios sexuais não eram apenas da moda, mas sinal de evolução intelectual. A matança de animais e escravos em arenas não significava apenas diversão votada ao apaziguamento de uma população depravada, como calmante a uma fera desdentada, mas também a limpeza étnica considerada um favor ao bem do Estado. O roubo do dinheiro público era legitimado como sendo um direito dos patrícios, um espólio por aguentarem viver entre a gentalha urbana.

Quando o Estado começou a ruir; quando os excessos governamentais começaram a estourar os alicerces da pirâmide social; no momento em que o sonho de progresso colocado nas mãos de larápios adulados por todos começou a mostrar sua impostura; quando os costumes devassos começaram a prorromper em bestialidades públicas e o sentimento de apreço pelo divino fora substituído pelo apreço ao suicídio e a Morte, então os grupos que viviam felizes, apartados em sua vida equilibrada, começaram a ser perseguidos.

mártirio dos cristãos

Afinal, segundo o pensamento romano da época, “que direito eles [os cristãos] tinham de viver em Paz uns com os outros, de não adorar ao Imperador como seu deus [falso], de não sofrer as desditas de todas aquelas outras massas degeneradas, de permanecer fiel, de forma insana, a um condenado judeu que morreu seminu em uma cruz infame“??

Não pressentem os leitores deste artigo esses auspícios ecoados em nossos tempos? Não preveem que nós, cristãos, seremos considerados inimigos da humanidade, estranhos entre os nossos, infames em nossas pátrias? Não percebem o desprezo que a sociedade intelectualizada, imersa em ilusões tola, destilam em nossa  direção? Não conseguem ver que as virtudes já são abominadas e causam nojo [na verdade, inveja] aos não crentes?

Vejamos o que nos dizia o intelectual e filósofo romano Celso:

Recolhendo gente ignorante, que pertence à mais vil população, os cristãos desprezam as honras e a púrpura, e chegam até mesmo a chamar-se indistintamente de irmãos e irmãs. O objeto de sua veneração é um homem punido com o último dos suplícios e, do lenho funesto da cruz, eles fazem um altar, como convém a depravados e criminosos.

Agora, temos o testemunho do mui elogiado Marcus Aurelius, imperador e filósofo romano, contra os Cristãos:

A salvação da insignificância da vida, da desordem dos acontecimentos, do aniquilamento da morte, da dor, só pode ser encontrada numa sabedoria filosófica por parte de uma elite de raros intelectuais. Trata-se de uma loucura o fato de os cristãos colocarem esta salvação na fé num homem crucificado (como os escravos) na Palestina (uma província marginal) e declarado ressuscitado. (…)
O fato de os cristãos crerem na mensagem do Crucificado, que se dirige preferencialmente aos marginalizados e pobres (à ‘poeira humana’) e que pregue a fraternidade universal (numa sociedade bem escalonada em pirâmide e considerada como ‘ordem natural’) é outra loucura intolerável, que incomoda, que revira tudo. É preciso eliminar os Cristãos como transgressores da civilização humana!

Incrível como o argumento de Marcus Aurelius se reconhece, em sua maior parte, na corrente de pensamento que impera no mundo hoje, de inspiração maçônica. Estas citações acima foram proferidas ao longo de dois séculos de perseguições a uma religião estranha. Mas, estranha apenas em relação às imoralidades reinantes em toda a sociedade romana, desesperada e cada vez mais atolada no lodo do crime.

Antevejo uma nova era de perseguições aos cristãos e críticos deste sistema vigente de valores doentios contemporâneos. Orem e vigiem!

Anúncios

Autor: Júlio [Ebrael]

Brazilian blogger. Amateur writer, poet and avid reader. Conservative, Catholic and Anti-Zionist. // Blogueiro brasileiro. Escritor amador, poeta e leitor ávido. Conservador, católico e antissionista. //

3 comentários em “Cristofobia: a perseguição vai recomeçar!”

  1. Talvez coubesse ler o tratado de história natural das religiões de Voltaire…

    É minimamente curioso, que já no século XVII houvesse grande clareza quanto ao sangue derramado em nome de Cristo, se comparado ao período da perseguição romana…não que eu queira comparar ou medir diferenças em litros de sangue, ou do uso de instrumentos de tortura em massa empregados pelos devotos que hoje afirmam não haver mais “inferno” (Mas há pecado, não se esqueça?! e aqui minha ignorância não permite distinguir o pecado do inferno, tampouco me impede de pensar em cristãos “imorais”, esse é o velho argumento de sempre, e deles, creio eu, há aos montes)…realmente, irmão, tu és muito otimista e em última instância cego…me diga com quem andas, que te digo quem tu és…

    1. Bem, posso rescrever sua pergunta? Me diga você com quem andas que te direi o que querem que você seja! Me conte com quem falas que te direi o que querem que você fale! Eu não diria que sou cego, nem você, mas que estamos em cavernas escuras diferentes, embora contíguas…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s