Mentiras sinceras ou Verdades inconvenientes?

HIstória Eclesiástica (Bispo Eusébio de Cesaréia)

História Eclesiástica (Eusébio de Cesaréia)Está mais do que evidente, a nós que observamos a banda passar, que hoje prevalece nos discursos, seja de instituições religiosas ou políticas, a regra do quod licet (em lat., aquilo que convém). Aos ignorantes e ao populacho, é imposta uma ração de ilusões e promessas vãs bem diferentes das promessas inerentes do que nossas almas imortais nos garantem.

Ok! As instituições religiosas, bem como os credos que arrastam sob suas estolas e filactérios, são constituídas por homens em sua interpretação, pretensamente iluminada por Deus, acerca das Verdades Eternas. Verdades, mesmo? Ou seriam as sombras da Verdade que querem nos passar, cujos conteúdos convenham ao status quo  das hierarquias? Essas vultosas organizações hieráticas se dizem portadoras de Revelações divinamente inspiradas. É certo lhes imputar o título de infalíveis aos Papas? É humanamente compreensível dar a sacerdotes pecadores a tutela da guia do “rebanho” humano? Sim, é, desde que o rebanho se deixe livremente alienar!

Trago algumas citações de frases proferidas por pilares da Igreja dita “cristã” para que todos nós reflitamos a quais cetros nossas cabeças se inclinam: 

“Mas, se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para glória sua, por que sou eu ainda julgado também como pecador?”
(Carta de Paulo aos Romanos, 3:7)

“É um ato de virtude enganar e mentir, quando, por estes meios, os interesses da Igreja podem ser promovidos.”  (Eusébio de Cesaréia in História Eclesiástica).

“Nem toda a verdade deve ser dita a toda gente.”  (Clemente de Alexandria)

“Os Cristãos, antes de receber em suas assembleias aqueles que querem ser seus discípulos, fazem-lhes diversas advertências, enfim admitem-nos quando os veem no estado que eles desejam, e fazem uma Ordem à parte, porque há duas Ordens entre eles…” (Origenes)

“É sabido desde tempos imemoriais, quão proveitosa nos tem sido essa fábula de Cristo”. (Papa Leão X)

***

Será que Paulo e Eusébio querem dizer que, a pretexto da pretensa “obra” de Deus, estamos autorizados a usar seu Santo Nome para validar mentiras? Não é mais pecado mentir e enganar? Ainda dizem servir ao mandato de Cristo? Sim, Cristo era taxativo: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.” (João, 15:14). Essa linha de pensamento de Paulo e Eusébio foi amplamente adotada pela Igreja Romana em sua política de conversão e anúncio de seu Evangelho. Quantas mentiras a Igreja já contou à humanidade (e ainda continua contando) desde o seu estabelecimento? Quantas iniquidades podem ter sido ainda mais cometidas, além daquelas que conhecemos da época da Infeliz Inquisição, por outros de seus arautos, como os jesuítas (sabidamente metidos com Ocultismo e lavagem cerebral), que diziam fazer tudo ad majorem Dei gloriam (para a maior glória de Deus)??

Adicionalmente, para concluir a obviedade do que encontramos delineado nas frases acima e que pouca gente que se diz racional se atreve a analisar, deixo um texto de David Hume, filósofo britânico do século XVIII, para reflexão de todos os seres pensantes:

“De acordo com a maneira imperfeita como os assuntos humanos são conduzidos, um patife sensato pode pensar, em certas circunstâncias, que um ato de iniquidade ou de infidelidade irá aumentar consideravelmente a sua fortuna, sem causar nenhuma ruptura considerável na união e confederação social. Que a honestidade é a melhor norma, pode ser uma boa regra geral; mas ela está sujeita a muitas exceções: e talvez se possa pensar que alguém se comporta com mais sabedoria quando observa a regra geral e tira vantagem de todas as exceções. Devo confessar que se um homem pensa que este raciocínio requer uma resposta, será difícil achar alguma resposta que pareça satisfatória e convincente para ele. Se o seu coração não se rebela contra princípios tão perniciosos, se ele não sente aversão a pensamentos vis e baixos, ele perdeu de fato um dos grandes motivos para seguir o caminho da virtude; e podemos esperar que a sua prática esteja à altura das suas especulações.  Mas em todos os temperamentos sinceros, a antipatia à traição e à velhacaria é demasiado forte para ser compensada por quaisquer interesses de lucro ou vantagem monetária. A paz interior da mente, a consciência da integridade, uma revisão satisfatória da sua própria conduta; estas são circunstâncias muito necessárias à felicidade, e serão valorizadas e cultivadas por todo homem honesto, que sente a importância delas.”

(An Enquiry Concerning the Principles of Morals, David Hume, Indianapolis/Cambridge: Hackett Publishing Company, 1983, 122 pp., ver pp. 81-82.)

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Referências:

http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=701#.UI320sXA9-1

http://codexvaticanum.blogspot.com.br/

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Autor: Júlio [Ebrael]

Brazilian blogger. Amateur writer, poet and avid reader. Conservative, Catholic and Anti-Zionist. // Blogueiro brasileiro. Escritor amador, poeta e leitor ávido. Conservador, católico e antissionista. //

2 comentários em “Mentiras sinceras ou Verdades inconvenientes?”

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